{Especial, Assunto em Foco} “Michael Jackson’s This Is It”, the big Show

Na tela escura, em tom de épico, um texto solene e dramático explica que o que veremos a seguir são trechos dos ensaios da mais grandiosa turnê que Michael Jackson faria em sua carreira.

Com a morte prematura do cantor, os cinquenta shows lotados nunca aconteceram – e Michael Jackson’s This Is It é o mais perto que os fãs jamais chegarão dessa verdadeira superprodução.

Após uma breve sequência em que dançarinos são escolhidos para acompanhar o Rei do Pop, que serve para criar alguma tensão antes da primeira aparição do artista, Michael enfim entra no palco.

Que me perdoem os fãs, mas eu simplesmente não consigo me acostumar com a caricata criatura em que Jackson transformou-se lentamente ao longo das últimaSem título 1s décadas. Aliados à toda a verdadeira mitologia que criou-se ao redor daquela figura estranha, o rosto pálido, o nariz desconstruído, a magreza aflitiva… tudo naquele personagem que parece saído de um filme de Tim Burton seria motivo de pena.

Mas aí Jackson começa a dançar o robô. E a equivocada pena se transforma em fascínio.

Ao longo dos 102 minutos de projeção apagam-se da memória os problemas com a justiça, os momentos constrangedores e bebês balançantes. O que se vê na tela é um artista em pleno domínio de sua técnica. Jackson dança como um alucinado, critica a equipe (“o faço com amor, A, M, O, R”) e comanda concentrado todos os aspectos do espetáculo que jamais será apresentado ao vivo. Kenny Ortega, diretor do espetáculo, parece estar ali só para cuidar da parte cinematográfica e servir de intérprete dos desejos de Jackson para a equipe.

O filme costura registros de câmeras de qualidades diversas – algumas beiram a falta de resolução. É, obviamente, algo extraído do que seria o making of, o “Disco 2”, do DVD ao vivo do show. Mas se o disco de extras gerou material tão decente, nem dá pra imaginar como seriam as apresentações de verdade. Jackson estava a um passo de fazer história – de novo – mas o esforço o consumiu (algo que em momento algum é mostrado, vale dizer). This Is It se restringe a um musical com breves momentos documentais.

E já que o assunto é música, os hits do astro se enfileram na telona. Desde a abertura com “Wanna Be Startin’ Somethin'” até o encerramento ao som da emblemática “Man On The Mirror” (uma lista está no final desta crítica), fãs acompanham as últimas apresentações da vida de Jackson. A maioria é composta por montagens de dois ou no máximo três ensaios, mas algumas têm outros tipos de materiais.

“Smooth Criminal” vem acompanhado de um filme que coloca o cantor dentro de Gilda, clássico de 1946 dirigido por Charles Vidor. Ele foge de bandidos e interage com personagens. Depois vem a nova versão de “Thriller”, com direito a aranhas gigantes, fantasmas e múmias poeirentas. É um dos piores momentos do filme, já que inexplicavelmente descaracteriza totalmente o clássico que mudou a história dos videoclipes. Vale apenas pela famosa coreografia apresentada no palco. A última canção que ganhou tratamento especial foi a chata “Earth Song”, que traz um curta sobre uma garotinha que tenta salvar um broto da destruição das máquinas. Esses segmentos incluem ainda cenas de making-of e sequências com artes conceituais e animação 3-D inacabada.

O começo é empolgante, mas do meio para o fim This Is It perde força e ritmo. Não teria me importado se tirasse as canções mais fracas e colocassem mais cenas de bastidores. De qualquer maneira, se a intenção foi dar aos fãs os últimos dias de um dos maiores artistas que o mundo já viu, o projeto é bem sucedido.

“Queremos dar a eles talento como nunca viram antes”, explica o cantor à equipe no discurso final. Pois foi exatamente o que ele conseguiu. Pena que This Is It seja o último registro disso.

Pelo que conhecemos de Jackson no dia-a-dia dos ensaios, ele também não acharia suficiente.

 

2 Comentários

  1. This is it não mostra que Michael podia divertir.
    Mostra, sim, que ele é, foi e será um músico
    extraordinário, com rara sensibilidade para
    comover o SER HUMANO no que ele tem de mais
    sagrado: o sentido do AMOR.
    Singeleza, técnica,
    personalidade artistica, profissionalíssimo – e
    muito, muito educado –, esse Michael é trazido
    à tona, nessa bela homenagem a seus fâs.

    Uma
    bofetada carinhosa de MJ com sua luva brilhante no
    rosto de quem duvidava de sua genialidade.

  2. Ainda não vi esse filme 😦 mas realmente quero vê-lo. Espero que não demore muito para entrar na programação da Cinemax.


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